sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Hoje eu exercitei um hábito antigo que ficou meio esquecido: andar de transporte público no DF. Peguei o metropolitano no Parkshopping e vim até a rodoviária. De fato é a segunda vez que ando de metrô. Você pode estar pensando "que almofadinha, só anda de carro". Mas é isso mesmo, fiquei habituado a só andar de carro em Brasília e no DF. Quando estudante, zanzava à vera pelos ônibus lotados que carregavam gente pras cidades do DF, ia visitar minha avó de ônibus (com aquela faixa amarela) em Taguatinga Norte e diariamente pegava o 145 pra ir à escola. Hoje no metrô fiquei como turista, admirando tudo o que podia, inclusive as pessoas que entravam e saiam a cada estação. Seria legal ter metrô de superfície no Plano Piloto! E é tão rápida a viagem entre as estações que pode se tornar enfadonho quando as outras unidades da Asa Sul começarem a funcionar.
Mas o divertido mesmo foi quando cheguei à rodoviária, palco de tantos eventos e testemunha da passagem de tanta gente. Há tempos não visitava a plataforma inferior, inclusive fiquei perdido na hora de identificar onde pegar o 115 pra L2 Norte! Hoje é dia de combate ao AVC, tinha um tanto de gente sendo atendida de graça por lá. Pelo menos o número das linhas não mudou de 20 anos pra cá.
Ah essa rodoviária... Palco de uma corrida de kart no primeiro aniversário de Brasília (sabiam disso?), este lugar ficou marcado pra mim por conta do "badernaço" em 1986. Aquilo sim foi um movimento popular destrutivo. Nunca ouvi falar de nenhum sedimento que tal evento tenha proporcionado ao povo brasileiro, mas foram muitos carros depredados, muitas bancas de revista assaltadas, um verdadeiro cenário de guerra, eu lembro. Foi chocante quando um amigo chegou na escola com a mochila cheia de revistas que ele tinha levado de uma das bancas na ocasião. Ver as cenas de destruição, fogo nos carros virados, vidro no chão, tudo aparecendo na TV. Imagens que me deixaram ainda mais impressionado com a amplitude da baderna.
O trajeto pra casa dentro do ônibus foi rápido, o 115 não passa mais pela praça dos três poderes. E eu que ficava tao inseguro fora de casa quando voltava da escola no fim da tarde, me sentia oprimido dentro dos ônibus velhos e cheios, iluminados internamente com aquelas lâmpadas incandescentes pequenas que pareciam refletir o calor do motor do "baú", que a gente insistia em dar o "calote". Que tempos aqueles...
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